segunda-feira, 20 de julho de 2015

ELO ESPIRITUAL

 



Até agora pouco se tem falado sobre elo espiritual, porque ainda se desconhece a sua importância. Entretanto, embora os elos espirituais sejam invisíveis e mais rarefeitos que a atmosfera, através deles todos os seres são influenciados consideravelmente. No homem, eles tornam-se o veículo transmissor da causa da felicidade e da infelicidade. Em sentido amplo, exercem influência até sobre a História. Portanto, o homem deve conhecer o seu significado.

Primeiramente desejo advertir que isso é Ciência, é Religião e também preparação para o futuro. O princípio da relatividade, os raios cósmicos e os problemas referentes à sociedade ou ao indivíduo, tudo se relaciona com os elos espirituais. Vejamos a relação existente entre eles e o homem.

Tomemos como exemplo um homem qualquer: pode ser o próprio leitor. Ele não sabe quantos elos espirituais estão ligados a ele; podem ser poucos, dezenas, centenas ou milhares. Há elos espirituais grossos e finos, compridos e curtos, bons e maus, e constantemente causam influência e transformação no homem. Portanto, não é absurdo dizer que este se mantém vivo graças aos elos espirituais. Entre estes, o mais forte é o que existe entre um casal; a seguir, o que existe entre pais e filhos, entre irmãos, entre tios e sobrinhos, entre primos, amigos, conhecidos, etc. Creio que as expressões "laços de afinidade" e "ter afinidade com alguém", usadas desde a Antigüidade, referem-se aos elos espirituais.

Os elos espirituais sempre se modificam, tornando-se grossos ou finos. Quando há harmonia entre o casal, ele é grosso e brilhante; quando os cônjuges estão em conflito, ele torna-se mais fino e perde o brilho. Entre pais e filhos, entre irmãos, etc., dá-se a mesma coisa.

Também podem ser formados novos elos, quando uma pessoa trava conhecimento com outra, quando inicia uma amizade e, principalmente, um namoro. Chegando o namoro ao clímax, o elo torna-se infinitamente grosso e transmite intensas vibrações de um para o outro. São trocadas não só sensações agradáveis e sutis, mas também de tristeza e solidão. Por esse motivo, o elo espiritual torna-se extremamente forte e é impossível a separação. Nesse caso, mesmo que uma terceira pessoa tente interferir no romance, não só não obterá nenhum resultado, mas, ao contrário, fará aumentar ainda mais o grau da paixão. Quando duas pessoas se amam, é como o pólo positivo e o pólo negativo em eletricidade, que se tocam e geram a energia elétrica; nesse caso, o elo espiritual trabalha como fio elétrico. Tempos atrás, extinguindo espiritualmente o pólo positivo, salvei duas estudantes que, envolvidas num amor lésbico, estavam a um passo de duplo suicídio. Consegui que a moça que representava o pólo positivo voltasse à normalidade em cerca de uma semana. Esfriado o ardor da paixão, foi rompido o elo espiritual, e a outra, automaticamente, também voltou à normalidade.

O elo espiritual entre pessoas que não têm laços de consangüinidade pode ser rompido, mas é impossível romper o que existe entre parentes consangüíneos. No caso de pais e filhos, deve-se dar atenção a um ponto: como eles sempre estão pensando uns nos outros, o caráter dos filhos sofre a influência do caráter dos pais, através do elo espiritual. Portanto, se os pais desejam melhorar os filhos, em primeiro lugar devem melhorar a si mesmos. Freqüentemente eles fazem coisas erradas e vivem advertindo os filhos, porém isso não dá muito resultado, e o motivo é o que acabamos de expor. Muitas vezes, entretanto, admiramo-nos por ver pais maravilhosos com um filho transviado. A verdade é que esses pais são boas pessoas por interesse e apenas na aparência, mas seu espírito está maculado, e isso se reflete no filho. Pode também acontecer que, entre dois irmãos, um seja bom e outro seja corrupto. A causa está na vida anterior e nas máculas dos pais. Para que possam compreendê-lo, falarei sobre o princípio da reencarnação.

Após a morte, o espírito vai para o Mundo Espiritual, isto é, nasce nesse mundo. Referindo-se à morte, os budistas usam a expressão Odyo, que significa "vir para nascer". Analisando do ponto de vista do Mundo Espiritual, é realmente o que acontece. Ali se efetua a purificação das máculas acumuladas no Mundo Material, e os espíritos que atingiram certo grau de purificação voltam a nascer neste mundo, ou melhor, reencarnam. Todavia, há pessoas perversas que se arrependem ao morrer, seja por medo do castigo, seja por outros motivos. Tendo compreendido que o homem nunca deve praticar o Mal, fazem o firme propósito de se tornarem virtuosas na próxima vida e, quando reencarnam, praticam realmente o Bem. Vemos, pois, que, embora alguém seja muito bom nesta vida, na encarnação anterior pode ter sido um grande perverso.

Muitos homens, enquanto estão vivos, não acreditam na vida após a morte e, depois que morrem, não conseguem se integrar no Mundo Espiritual. Pelo apego à vida, reencarnam antes de estarem suficientemente purificados e sofrem várias purificações no Mundo Material, pelas máculas que ainda restam em seu espírito. Como o sofrimento é uma ação purificadora, um homem pode ser infeliz apesar de ter sido bom desde que nasceu. Os defeituosos de nascença, como por exemplo cegos, mudos e aleijados, são pessoas que tiveram morte violenta na encarnação anterior e reencarnaram antes de concluída a purificação.

Um caso interessante e freqüente de reencarnação é o de crianças que nascem com feições de velho. Isso acontece porque essas pessoas morreram idosas na vida anterior, e reencarnaram precocemente; só dois ou três meses após o nascimento é que tomam feições de bebê.

Ocorre, ainda, o caso do reflexo das más características dos pais sobre um dos filhos, o qual se torna perverso, ao passo que num outro se reflete a consciência, ou melhor, o lado bom dos pais, e por isso este filho se torna bondoso. Acontece também com freqüência que, tendo os pais enriquecido ilicitamente, um filho se torne esbanjador, gastando dinheiro como água, até acabar com a fortuna da família. Como se trata de riqueza ilícita, os ancestrais escolhem um descendente que, dilapidando essa riqueza, na verdade está trabalhando para salvar a família. Desconhecendo essa verdade, as pessoas acham que tal filho é desprezível; por isso, ele é digno de pena.

Estamos ligados por elos espirituais não só aos parentes e amigos vivos, mas também àqueles que se encontram no Mundo Espiritual. Existe, ainda, o elo espiritual que nos liga a Deus e também o que nos liga a Satanás. Deus nos estimula para o Bem, e Satanás para o Mal. O homem é manejado constantemente por uma força ou por outra. Assim, o espírito que foi purificado até certo ponto no Mundo Espiritual é escolhido como Espírito Guardião, o qual protege a pessoa confiada à sua guarda, através do elo espiritual que os une. Quando ela está sujeita a um perigo iminente, o Espírito Guardião transmite-lhe um aviso e tenta salvá-la. Como exemplo disso, podemos citar o caso de uma pessoa que vai pegar um trem mas que, por ter se atrasado ou por algum outro problema, não o pega, tomando o trem seguinte. Aí, acontece um desastre com o trem que ela não pegou, e muitos morrem ou ficam feridos. A pessoa foi salva graças ao trabalho do Espírito Guardião, que conhece antecipadamente o destino de quem lhe foi confiado no Mundo Material.

A quantidade de elos espirituais varia de acordo com a posição que o homem ocupa. Numa família, quem os possui em maior número é o chefe, ligando-o com os familiares, com os empregados, com os amigos, etc. Tratando-se do presidente de uma firma, possui elos com todos os funcionários; se for homem público, como prefeito de uma cidade, governador de estado, primeiro-ministro, presidente, imperador, etc., tem elos espirituais com todos aqueles que estão sob sua administração ou governo. Quanto mais elevada a posição do homem, maior se torna o número de seus elos espirituais. Sendo assim, a personalidade de um líder tem que ser nobre, porque, se no seu espírito houver impurezas, isso se refletirá nocivamente sobre grande número de pessoas, atuando sobre o pensamento delas. O primeiro-ministro de um país, por exemplo, deve ser um homem de grande personalidade; além de muita sabedoria, deve ter muita sinceridade. Caso contrário, o pensamento do povo se deteriora, a moral relaxa, e o número de criminosos torna-se cada vez maior. Principalmente os educadores, se soubessem que seu caráter se reflete sobre os alunos através dos elos espirituais, deveriam tornar-se pessoas dignas de exercerem essa profissão, procurando constantemente aperfeiçoar o próprio espírito.

Os religiosos - especialmente os fundadores, presidentes ou ministros de uma religião - sendo venerados por grande número de fiéis como deuses vivos, devem ter muito cuidado, pois exercem uma influência notável. Se praticarem atos condenáveis, aproveitando-se de sua posição, isso se refletirá no conjunto dos fiéis, e essa religião acabará por se desmoronar, pois aqueles atos serão do conhecimento de todos.

Mas não é só o homem que tem elos espirituais. Também Deus tem elos que O ligam aos homens. A diferença é que os de Deus possuem uma luz intensa, e os do homem, mesmo dos mais elevados, possuem luz tênue; em geral são como linhas branco-acinzentadas. Quanto mais perversa for a pessoa, mais escuros serão os seus elos espirituais. Comumente, ao escolhermos amigos, desejamos que sejam pessoas boas, pois, misturando-se com o Bem, o homem torna-se bom, e misturando-se com o Mal, torna-se mau, graças às influências transmitidas pelos elos espirituais.

Mesmo entre as entidades há os justos e os satânicos. Se o homem sempre venerar as divindades, seu espírito será purificado, porque elas têm elos espirituais intensamente luminosos. Se venerar as entidades satânicas, ao invés de luz, receberá fluidos maléficos que afetarão seu pensamento, e por isso se tornará infeliz. Portanto, para seguir uma Fé, é essencial o homem discernir o Bem e o Mal. A intensidade da luz varia conforme o nível da divindade. Quanto mais elevada ela for, maior número de milagres promoverá, porque a luz dos seus elos espirituais é muito mais forte.

Existe atividade dos elos espirituais não só no homem, mas em todas as coisas. Por exemplo: a casa onde residimos, os objetos que sempre usamos, entre os quais roupas e jóias, e principalmente as coisas de que mais gostamos, possuem conosco um elo espiritual mais grosso. Numa antiga revista espiritualista dos Estados Unidos, foi publicada uma reportagem sobre uma senhora que tinha um poder misterioso: pelos objetos, ela identificava a fisionomia, a idade e as atividades recentes do seu dono. Quando contemplava atentamente um objeto, tinha a impressão de estar diante da fotografia da pessoa. Isso ocorria por causa do elo espiritual existente entre a pessoa e o objeto. Através desse exemplo podemos perceber como é sutil e profunda a atuação dos elos espirituais.

Recentemente, começaram a fazer pesquisas científicas sobre os chamados raios cósmicos, os quais, a meu ver, são os elos espirituais que unem a Terra aos outros astros. Desde que foi criada, a Terra mantém o equilíbrio no espaço graças aos elos espirituais dos astros ao seu redor, que a atraem. Esses elos, cujo número é incalculável - milhões ou bilhões - penetram até o centro da Terra. Aproveitando a oportunidade, vou explicar rapidamente a relação entre a Terra e o Céu (espaço sideral).

Eles são como dois espelhos, um em frente ao outro. No espaço sideral há dois tipos de astros: os luminosos e os opacos. Por não ter luz, o astro opaco não se torna visível aos olhos humanos, mas, com o passar do tempo, vai se transformando em astro luminoso, pelo endurecimento de matérias cósmicas; ao atingir o máximo de endurecimento, começa a brilhar. É por esse motivo que o mineral mais duro existente na Terra - o diamante - é o que mais brilha.

Na época da criação do nosso planeta, o número de astros visíveis era tão pequeno como o das estrelas durante a madrugada. Esse número cresceu proporcionalmente ao aumento da população; portanto, assim como é impossível calcular o aumento da população humana no futuro, é impossível calcular o aumento do número de astros. Freqüentemente os astrônomos descobrem novos astros, mas o que realmente acontece é a transformação de um astro opaco em astro luminoso, o qual passa a ser percebido pelos olhos humanos. Quanto às estrelas cadentes, representam a ação de desintegração das estrelas, e o meteoro é um fragmento delas.

Todos os astros exercem influência sobre a humanidade: não só os grandes planetas, como Júpiter, Marte, Saturno, Vênus, Mercúrio e outros, mas também as inumeráveis estrelas - grandes, médias e pequenas. Assim como se destacam os cinco grandes planetas citados, em cada época existem cinco personalidades mundiais. Também acho interessante compararem o homem às estrelas, e, referindo-se a personalidades renomadas, falarem em "passagem de uma grande estrela", ou "queda de uma estrela".

A História registra que inclusive no Ocidente houve uma época em que se dava muita importância à Astrologia, e os mestres religiosos consultavam os astros para ver a sorte ou o infortúnio, a felicidade ou a infelicidade do homem, para analisar as doenças, etc. A Astrologia teve, pois, uma importância mundial. Na China, a ciência da adivinhação também tomava por base os nove planetas. Para mim, não é sem cabimento o interesse que os antigos tinham pelo estudo dos astros.





5 de setembro de 1948

RELIGIÃO QUE REVELA DEUS






Quando incentivamos as pessoas descrentes a crerem em Deus, a maioria reage, pede que provemos com clareza a Sua existência, e assume uma atitude intelectual, dizendo não poder perder tempo com superstições.

Essa tendência é notadamente acentuada entre as pessoas cultas. Mas não podemos criticá-las, porque elas têm suas razões. Sua atitude explica-se pelo fato de que a maior parte das religiões é anticientífica, sendo raras as que não estão afetadas por superstições. Muitas não conseguem dar provas claras da existência de Deus e criam hesitação entre a Sua existência ou inexistência. Portanto, não é de se estranhar que haja tantas pessoas indiferentes à Fé.

A Igreja Sekai Kyussei Kyo mostra claramente a existência de Deus. Todos aqueles que entram em contato com ela sentem-se maravilhados ante a constatação dessa verdade. A melhor prova está nos inúmeros milagres e graças alcançados, através da Igreja, pelos seus fiéis. Infelizmente, são pouquíssimas as pessoas que crêem por meio da simples leitura ou explanação oral das experiências de fé dos fiéis. A maioria acha-se impedida de aceitar os fatos como realmente são, por professarem uma fé de baixo nível. Em parte, isso se entende, mas não deixa de ser deplorável. Costumo sempre afirmar que a nossa Igreja não é uma religião, e sim uma Ultra-Religião, uma grandiosa obra salvadora.

Os novos fiéis costumam dizer que, no início, quando leram as nossas publicações pela primeira vez, não conseguiram crer integralmente no que elas expunham, achando a doutrina messiânica muito diferente não só das doutrinas professadas por outras Igrejas, como também das teorias científicas. Considerando que nenhuma experiência é perdida, eles começaram a receber Johrei cheios de desconfiança. Assombrados com o fato de ele consistir apenas no levantar das mãos, pensaram em desistir, julgando impossível a cura por meio de um ato tão simples. Entretanto, sentindo-se mais dispostos no dia seguinte, continuaram a recebê-lo e melhoraram rapidamente. Esse é o testemunho unânime dos que relatam sua experiência.

É justamente porque a nossa Igreja evidencia graças imediatas, pouco comuns, que os intelectuais cometem um engano, chamando a isso de superstição. Esse modo de interpretar e pensar não deixa de ser um grande obstáculo; contudo, dentre os que se têm na conta de eruditos, há muitas pessoas de mente sã que se tornam felizes por ingressarem na Fé, aceitando plenamente a realidade evidenciada. Tanto os mais obstinados, como os devotos da Ciência, acabam se dando por vencidos diante das provas da existência de Deus apresentadas pela Igreja Sekai Kyussei Kyo através de milagres sem conta, nunca manifestados antes.



09 de janeiro de 1952

domingo, 19 de julho de 2015

RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES





A Religião não é nada mais do que a cristalização do amor de Deus para guiar os infelizes ao caminho da felicidade. Ninguém ignora que muitos lutam em vão para conseguir a felicidade almejada; raras são as pessoas que a conseguem, depois de uma vida inteira de lutas.

É de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi legada através da instrução e de biografias e leituras referentes aos exemplos de grandes personagens. A teoria bem formada merece admiração, mas todos sabem, por experiência própria, que é difícil pô-la em prática.

Tem-se como crédulo ou simplório aquele que age com honestidade; entretanto, se a pessoa procede diferente, cai no descrédito social e nas malhas da Lei. Por fim, o indivíduo não sabe como agir. O que os homens consideram bem-viver e se apressam por adotar é a vida desonesta sob a capa da honestidade. Os melhores adeptos dessa filosofia tornam-se os campeões dos bem-sucedidos, razão por que as pessoas tendem a seguir tais exemplos e o mal social não diminui.

Dizem que os honestos levam desvantagem, e tudo nos faz chegar a tal conclusão, a julgar pelo aspecto do mundo, de modo que quanto mais honesto for o indivíduo, tanto mais ele se arrisca a cair no conceito de "antiquado". Observa-se com freqüência que os homens que proclamam a justiça são repelidos e fracassam na sociedade.

É enorme o meu esforço para manter constantemente o conceito de justiça diante de semelhante mundo. O homem comum escarnece das minhas palavras, que ele considera crendices. Julga-me caprichoso e covarde, porque não sou interesseiro. Sente-se importunado por enfrentarmos o mal e destemidamente escrevermos a respeito, e também pelo nosso rápido progresso. Ultimamente, porém, em vista da firmeza de atitude com que nos temos mantido, apesar de todas as pressões – atitude que visa unicamente o bem – está despertando certa consideração por nós no espírito das pessoas. Alegra-nos, acima de tudo, que a situação tenha abrandado, facilitando o nosso trabalho. Isso se deve à resistência que oferecemos a todas as perseguições, tendo Deus por nosso apoio, e ao fato de a Igreja Sekai Kyussei Kyo possuir o Johrei, inexistente nas demais religiões.

Felizmente, alcançamos a liberdade religiosa com o advento da democracia. O ambiente ficou favorável, em comparação com o do Japão anterior à Guerra, tornando possível, através da justiça, eliminar o mal e caminhar ao encontro do bem.

A seguir, tratarei do problema concernente à felicidade do homem.

Naturalmente, o Bem constitui a base da felicidade, sendo óbvio insistir sobre a necessidade de ele ter força suficiente para vencer o Mal. Até agora, entretanto, na sua maioria, as religiões careciam dessa força; por conseguinte, não proporcionavam a felicidade desejada. Sendo assim, tiveram de pregar a Iluminação para satisfazer o povo, no seu desejo de atingir, pelo menos, a paz espiritual, uma vez que não conseguiam obtê-la na sua totalidade, isto é, espiritual e materialmente. Ou então pregaram a resignação, através do espírito de expiação e do princípio de não-resistência contra o Mal. Criaram, portanto, a teoria da negação da graça na vida presente, o que explica ser classificada de superior a religião que visa a salvação do espírito, e de inferior aquela que consegue obter, também, os benefícios do mundo. Mas essa teoria não passou de um recurso para determinada época. Darei exemplos.

Há pessoas que, embora torturadas por uma doença prolongada, dizem-se alegres, alegando estarem salvas, quando na realidade estão apenas resignadas, sufocando seus verdadeiros sentimentos. Isso é uma espécie de auto-traição. Por natureza, a verdadeira satisfação nasce com o restabelecimento da saúde, se for esse o caso.

Em todos os tempos houve famílias que, não obstante o ardor de sua fé, não foram agraciadas materialmente, permanecendo vítimas de desgraças. Dessa forma, acabaram por se iludir, julgando que a essência da Religião só objetiva a salvação espiritual.

A Igreja Sekai Kyussei Kyo salva tanto o espírito como a matéria. Podemos afirmar que vai além disso. As obras de construção dos protótipos do Paraíso Terrestre em diversas localidades, assim como a construção de museus de arte que estamos realizando, dependem inteiramente dos donativos dos fiéis. A Igreja abomina a exploração, contando apenas com recebimento do donativo espontâneo. Apesar disso, é realmente milagroso o fato de se conseguir a quantia necessária para o empreendimento de uma obra de tal envergadura. Isso prova a prosperidade dos fiéis. O donativo, longe de ser temporário, tende a aumentar, razão por que nunca me preocupei com dinheiro.

Na época em que apareceram as religiões antigas, os ensinamentos podiam ser de caráter limitado, de fé shojo , mas hoje a realidade é outra. Tudo adquiriu caráter universal, de modo que é preciso uma organização grandiosa para salvar a humanidade. Quanto maior a organização, maior o número de pessoas salvas. Por isso, ao tomar conhecimento dos seus objetivos, ninguém deixará de reconhecer a importância da nossa Igreja.



10 de junho de 1953

A CONSTRUÇÃO DO PARAÍSO E A ELIMINAÇÃO DO MAL



Se o mal é a causa fundamental da infelicidade humana, conforme dissemos, levanta-se a seguinte questão: por que Deus o criou? Esta é a pergunta que mais tem atormentado o homem até os dias de hoje. Eis, porém, que finalmente Deus esclareceu a Verdade, que eu passo agora a anunciar.


O mal foi necessário até o momento porque, através do conflito entre ele e o bem, a cultura material pôde progredir até chegar ao ponto em que se encontra. É surpreendente! Embora nem em sonho pudéssemos imaginar que o motivo fosse realmente esse, é a pura verdade. (...)

Ora, se até hoje a cultura progrediu graças aos atritos entre o bem e o mal, é lícito afirmar que este foi imprescindível. Contudo, precisamos saber que não é uma necessidade eterna, ou seja, há um limite para ela. A esse respeito, devo dizer que, atrás de tudo isso, esta o objetivo de Deus, que comanda o Universo.

A construção de um mundo tão maravilhoso requer um preparo à altura; um preparo completo, que preencha todas as condições, tanto do ponto de vista espiritual como do ponto de vista material.

Tendo finalmente chegado o tempo em que o mal não será mais necessário, ou seja, o tempo presente, a questão é seriíssima. Não se trata de previsão nem sonho; é a pura realidade. Acreditando ou não, o fato já está saltando aos nossos olhos, através do extraordinário progresso da ciência nuclear. Por conseguinte, se estourasse uma nova guerra, não seria uma simples guerra e sim a destruição total, a extinção da humanidade. Não obstante, esse progresso é uma forma de extinguir o mal e, por isso, torna-se motivo de alegria. Como resultado, a cultura, que até hoje foi aproveitada pelo mal, sofrerá uma reviravolta, ficando à inteira disposição do bem. Daí surgirá o tão almejado Paraíso Terrestre.

Meishu-Sama em 13 de agosto de 1952

Extraído do livro Alicerce do Paraíso volume 1 - trechos

sábado, 18 de julho de 2015

RELIGIÃO CELESTIAL E RELIGIÃO INFERNAL




Como as principais religiões que existem sofreram perseguições na época da sua fundação, tornou-se comum associar Religião e perseguição. Os exemplos de que foram vítimas os adeptos, contam-se em grande quantidade na história das religiões. Entre eles, figuram casos aterradores, como a perseguição dos fariseus e a crucificação de Cristo, fundador do cristianismo, religião que predomina no mundo inteiro. No Japão, embora diferisse o grau de sofrimento, todos os religiosos também tiveram de atravessar um período espinhoso. As únicas exceções foram Sakyamuni e Shotoku, que não sofreram perseguições pelo fato de serem príncipes.
Os fundadores de religião superam os outros homens em honestidade, sendo dotados de um extraordinário sentimento de amor e caridade. São homens santos, modelados pela essência do bem, por arriscarem a própria vida na salvação dos sofredores. Entretanto, ao invés de reconhecerem devidamente o seu esforço e, agradecidos, acolherem-nos com honrarias, o governo e o povo os têm odiado como se eles fossem enviados do demônio, perseguindo-os a ponto de lhes tirarem a vida. A injustiça está mais do que evidente. Semelhante fato, à luz do raciocínio, leva-nos a considerar como demoníacos os homens que odeiam, torturam e tentam eliminar esses grandes benfeitores.
O homem, por natureza, pertence ao bem ou ao mal; não existe estado intermediário. Em outras palavras, ele está associado a Deus ou a Satanás. Assim, quem alimenta idéias ateístas e mostra-se contrário às boas ações, abomina Deus, tornando-se, evidentemente, sem o saber, um servo do demônio.
Até os fundadores de religiões hoje consideradas importantes, inicialmente foram tratados como demônios e tenazmente perseguidos. Mas, como a própria História mostra, o mal foi derrotado pelo bem. As santas palavras de Cristo, “Venci o Mundo”, encerram o mesmo sentido e são dignas de reflexão. Assim, longos anos após a morte dos seus fundadores, a maioria das religiões foram reconhecidas e tiveram suas divindades reverenciadas. Isso aconteceu devido à alegria que eles proporcionaram ao povo, com seus ensinamentos, e à notável contribuição que trouxeram ao aumento do bem-estar social.
Nenhuma religião foi devidamente reconhecida durante a existência do seu fundador, e as perseguições tornaram-se fatos comuns. Os crentes até adquiriram o hábito de se comprazer com uma vida atribulada. A leitura da história trágica dos missionários cristãos que, seguindo o exemplo do ato redentor de Cristo, enfrentaram a morte em territórios selvagens, é realmente comovedora. Nenhuma outra religião encontra-se, hoje, tão solidamente enraizada em todos os recantos do mundo como o cristianismo.

Alicerce do Paraíso. Vol.2A perseguição religiosa ocorrida no Japão e conhecida como “Conflito de Amakussa”, pode dar uma idéia da realidade mencionada acima. Foram sofrimentos inevitáveis, causados por terceiros, mas existem religiões que até procuram o martírio. O maometismo, o taoísmo, o lamaísmo e o brama¬nismo da Índia caracterizam-se pela prática de penitências e do ascetismo, considerando-os como essência da fé. Embora com alguma diferença, ocorrem fatos semelhantes entre diversas religiões tradicionais do Japão, onde continuam a existir algumas seitas que levam ao extremo o cumprimento dos mandamentos, fazem penitências e vivem à procura de aperfeiçoamentos. Como vemos, essas religiões são infernais, pois consideram o martírio um meio fundamental para polir a alma. Assim, o homem torna-se uma espécie de ser anormal, que transforma o sofrimento em prazer. Em verdade, isso acontece devido à necessidade que ele tem de suprir, com as próprias forças, a insuficiência do poder da Religião.
A Igreja Messiânica Mundial surgiu por uma necessidade imperativa, neste momento em que o mundo está repleto de re¬li¬giões de fé infernal. No que diz respeito às pregações e às ati¬vidades, a nossa Igreja difere radicalmente das outras, vindo a ser até mesmo o seu oposto. Ela repudia principalmente a penitência, considerando a vida celestial como a verdadeira for¬ma de professar a Fé. Além disso, caracteriza-se pelo seu amplo conteúdo, abrangendo Religião, Filosofia, Ciência, Arte e demais setores do conhecimento humano, sobretudo os referentes à saúde e à agricultura, que são pontos fundamentais da salvação. Tudo isso, pode-se dizer, constitui a condição fundamental para transformar o Inferno em Paraíso. E o que seria se¬não o próprio Amor Divino? Por conseguinte, as penitências constituem heresias, e a verdadeira salvação implica numa situação de vida celestial, transbordante de alegria. Quando esta situação abranger o mundo inteiro, surgirá o autêntico Paraíso Terrestre.
Nesses termos, o Paraíso Terrestre, que vem a ser a meta da nossa Igreja, inicia-se no lar. O aumento gradativo de lares celestiais chegará a transformar o mundo num paraíso. Se essa verdade fosse compreendida, ninguém deixaria de louvar a Igreja Messiânica Mundial e nela ingressar. Como os homens têm a mente afetada por conceitos materialistas e ateístas, ou por religiões de caráter limitado, perdem a oportunidade de conhecer essa alegria, por desconfianças e equívocos. Entretanto, a verdade sobre a nossa Igreja não deixará de vir à luz; estou à espera desse dia, lutando incessantemente, sob Orientação Divina.

25 de março de 1953
Alicerce do Paraíso. Vol.2

RELIGIÃO E SEITAS




As religiões estão subdivididas em seitas. O cristianismo, por exemplo, entre outras seitas, subdivide-se em catolicismo e protestantismo, que se destacam sobre as demais. Quanto ao budismo, só no Japão existe o Shingon, Jodo, Shinshu, Zen, Nitiren e outras, as quais, por sua vez, também estão subdivididas; atualmente, há cinqüenta e oito subseitas. No xintoísmo, excetuado o Shinto de Templo, há treze seitas principais: Taisha, Mitake, Fusso, Missogui, Tenri, Konko, etc.
A subdivisão das religiões parece ilógica, mas vejo o caso da seguinte maneira: será que a causa não está nos cânones? Isto porque tanto a Bíblia como os preceitos búdicos contêm muitos pontos incompreensíveis, cuja interpretação varia de pessoa para pessoa, contribuindo forçosamente para a criação de várias seitas. Quanto ao xintoísmo, não possui um fundador como o cristianismo e o budismo. Formou-se baseado nos livros clássicos, entre os quais o “Kojiki” e o “Nihon Shoki”, ou através de ensinamentos transmitidos por médiuns.
Embora as religiões citadas sejam religiões por natureza, sua subdivisão em seitas tende a ocasionar conflitos, prejudiciais à obra educacional de fraternidade, que é a missão prin¬cipal da Religião. A causa da subdivisão, sem dúvida alguma, está na dificuldade de interpretação dos ensina¬mentos. Entretanto, se a finalidade das religiões é salvar toda a humanidade, creio que tudo deveria ser claro para todos.
Para evitar tais dificuldades, pregarei a doutrina por um novo método, de modo que ela possa ser facilmente assimilada pelas pessoas. Pretendo, ainda, do ponto de vista da Religião, publicar, gradativamente, interpretações novas sobre Política, Economia, Educação, Arte, etc.


25 de janeiro de 1949

Alicerce do Paraíso. Vol.2

RELIGIÕES NOVAS E RELIGIÕES TRADICIONAIS




Quando analiso o comércio da atualidade, observo que existem dois tipos de lojas – as novas e as tradicionais. As primeiras são dinâmicas, objetivando expandir-se amplamente, mas ainda não ganharam plena confiança do povo, pois este desconhece a qualidade das suas mercadorias, não sabendo se os preços são razoáveis. Preocupadas, as pessoas compram nelas apenas a título de experiência, ou para atender às suas próprias necessidades. Entretanto, se a loja é tradicional, merece absoluta confiança dos fregueses. Para eles, sendo artigos dessa loja, por certo são bons. Ao invés de comprar na incerteza, em outros locais, preferem ir a um lugar de confiança, ainda que seja mais distante. No caso de uma compra de certo vulto, é certo dirigirem-se às lojas tradicionais, pelo nome que elas possuem, conseguido através de um longo tempo de vendas. Em face disso, as lojas novas empenham-se arduamente para atrair pelo menos algumas pessoas acostumadas a comprar nas casas tradicionais. Trata-se de uma situação que todos conhecem, e por isso dispensa maiores comentários.
Interessante é que no campo religioso ocorre o mesmo. O aparecimento de uma nova religião ainda é cercado de dificuldades maiores que o das pequenas lojas comerciais. De imediato, ela é tachada de supersticiosa e maléfica, ou até mesmo de trapaceira. É realmente cruel. Existem, sem dúvida, muitas religiões novas às quais se possam atribuir esses adjetivos, mas, de vez em quando, aparecem religiões verdadeiras. Também não podemos esquecer que todas as religiões respeitadas atualmente já foram novas; com o passar do tempo é que elas ganharam tradição. A loja nova, esforçando-se para oferecer preços e mercadorias equivalentes aos das lojas tradicionais, acaba tornando-se uma delas. Sendo assim, é errado tachar de trapaceiras e maléficas todas as religiões que surgem.
Pelos motivos expostos, creio que o primeiro dever das pessoas que criticam as religiões novas é analisá-las bastante, para poderem classificá-las de “boas” ou “más”. Só depois é que devem escrever a seu respeito.


30 de março de 1949


Alicerces doParaíso. Vol.2